quinta-feira, 21 de maio de 2015
O blog Quilombo Pé Vermelho ficará fora do ar
A proposta desse blog é convidar várias pessoas que militam sobre a temática do racismo ou da igualdade racial para expor aqui suas idéias.Mas devido o desgoverno porque passa o estado do Paraná, há uma impossibilidade de reunir as pessoas e traçarmos nosso método de atuação, uma vez que a grande maioria dos convidados são professores e alunos da rede pública de ensino e da Universidade Estadual de Londrina.
Pedimos a paciência dos leitores e assim que conseguirmos colocar o estado de volta na sua missão voltaremos a ativa.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Uma cena que poderia acontecer no Brasil
Nos últimos dias muitas pessoas tiveram acesso a essa imagem e a história dela.O nome do fotógrafo é Osman Sagirli e a menina Hudea. Ela e sua família moram em um Campo de Refugiados na Síria.
Alguns podem achar exagero o título acima, mas em um país a força brutal está em seu cotidiano, seja ele do machismo, do racismo, da homofobia e principalmente das policias militares, é possível imaginar. As crianças que moravam no Pinheirinho com certeza não via aqueles policiais enfileirados como heróis. O mesmo ocorre com as crianças nos assetamentos.
Portanto ingredientes para que a inocência das crianças brasileiras reajam como Hudea não falta.
José Mendes
quinta-feira, 12 de março de 2015
Marchas da Mulheres Negras 2015
Aconteceu terça(10) no Sindicato dos Bancários o evento CONTRA O RACISMO, VIOLÊNCIA E PELO VIVER BEM, Gestão de Politicas de Promoção da Igualdade Racial.Teve como palestrante a doutora Alaerte Leandro Martins da Rede de Mulheres Negras do Paraná. Na ocasião foi feito o lançamento da Marcha das Mulheres Negras 2015, que acontecerá em Brasília-DF em 18 de novembro.
terça-feira, 10 de março de 2015
Há 2.200 anos mulheres de Roma lutavam contra a opressão
Em 201 A.C. Roma
foi tomada por um exército de mulheres, que rumaram ao Fórum da cidade para
exigir a extinção da Lei de Ópia. A lei era responsável por várias restrições a
elas. Elas não podia ter posse. Usar trajes de cores berrantes e não conduzir
viaturas atreladas por exemplo.
Dentro do Fórum o debate foi acalorado Catão o Grande fez um longo discurso contra. "Se tivéssemos, todos nós, mantido a nossa autoridade dentro do lar, não estávamos nessa luta contra nossas mulheres". Mas Lucio Valério subiu ao plenário com um livro escrito pelo próprio Catão, onde ele resgatou várias intervenções heroicas das romanas e pro vezes salvaram a cidade.
Ao fim da sessão a lei foi revogada e as mulheres comemoraram uma vitória importante para elas e para gerações futuras.
Fonte
Ao fim da sessão a lei foi revogada e as mulheres comemoraram uma vitória importante para elas e para gerações futuras.
Fonte
domingo, 8 de março de 2015
A história de luta das mulheres por emancipação nasce junto com a opressão
A história da
humanidade é recheada de guerra, morte, genocídios, porém o que mais matou e
ainda mata é a opressão e a violência contra a mulher. Não temos registro
histórico de quando ocorreu o primeiro feminicídio no mundo, mas sabemos que hoje
ele acontece todos os dias e em muitos lugares, sem distinção de cor, credo ou
classe social., mas o fato de ser mulher por si só já se constitui em um risco
quando a questão é a violência. É triste e alarmante saber que, enquanto
escrevo ou que enquanto você lê, uma mulher está a ser violentada ou assassinada
pelas mãos de um ou mais homens.Motivos ou a falta deles não fazem a menor
diferença.
Em solo tupiniquim
a primeira mulher que se tem registro histórico a lutar contra essa condição,
que não aceitou ser tratado como alguém inferior foi Anastácia, assim a razão
da foto da matéria. Tentaram calar a sua voz, o seu grito, o seu pensar.
Tentaram rotulá-la como mulher, negra e trabalhadora escravizada. Mas a sua
luta ultrapassou os grilhões da senzala, do silêncio do machismo e alcançou
milhares de mulheres e homens para ensinar com que a força interior transcende a qualquer
opressão.
Nos mostra, que
essa força interior presente em cada mulher, tem feito a diferença na luta por
igualdade, por respeito e por direitos básicos tanto no Brasil como pelo mundo
afora. E as vitórias, muito mais que
motivo de comemoração, tem sido o combustível para que mulheres do mundo
inteiro não desanimem na caminhada de fazer do mundo um lugar mais fraterno
onde aja lugar para todas e todos. (Um lugar onde homens e mulheres sejam respeitados como iguais).
Em Tempo: Durante a semana este blog citará fatos históricos dessa luta.
Texto: José Mendes Colaboração: Luzinete Vilela
sábado, 7 de março de 2015
Salomé Parísio, o Rouxinol do Norte, sofreu preconceito de cor
Um pouca da história de personalidades negras, que a sua maneira enfrentaram o racismo e o preconceito e venceram. A personagem acima é Dulce de Jesus Parísio de Lira, conhecida artisticamente como Salomé Parísio.
Segue abaixo a reportagem do blog GGN.
Salomé Parísio, o Rouxinol do Norte, sofreu preconceito de cor
Salomé Parísio, a cantora pernambucana que recebeu do maestro Nelson Ferreira os slogans "Rouxinol do Norte" e "A Garota da Voz Doçura", sofreu, pelo menos duas vezes, discriminação absurda por ser mulata:
"Em 1940, participou de espetáculo no Teatro Santa Izabel, em Recife, mas tendo que cantar escondida atrás das cortinas, devido ao fato de ser mulata. O preconceito sofrido teve grande repercussão e o diretor do teatro acabou sendo afastado."
"Em 1946, viajou ao Rio de Janeiro para participar de um teste para cantora lírica no Teatro Municipal. Foi aprovada, mas acabou não contratada pois o teatro não aceitava cantoras líricas negras."
Sabedora de seus dotes artísticos, SALOMÉ PARÍSIO não se deixou abalar. Seguiu em frente e fez grande sucesso nacional e internacional, vivendo intensamente até 19 de junho de 2013, quando faleceu em São Paulo.
Registro aqui minha homenagem à artista Salomé Parísio, nascida Dulce de Jesus Parísio de Lira, ao tempo em que repudio vementemente todo e qualquer odioso tipo de preconceito.
Nosso sincero agradecimento ao escritor, pesquisador e colecionador cearense NIREZ, pelo envio de seis fonogramas gravados por Salomé Parísio.
Segue o link da reportagem.
terça-feira, 3 de março de 2015
LUTO por Osni Oliveira da Silva
É com tristeza que informamos o falecimento de Osni Oliveira da Silva, militante do Movimento Negro e das causas sociais.Membro fundador da entidade OKU BATA KU - AFRICA,
sábado, 28 de fevereiro de 2015
O menino que filmou sua própria morte e desmontou uma farsa da PM do Rio
Três jovens estão reunidos na rua, montados em suas bicicletas e contando piadas. Um deles resolve sacanear o outro amigo e sai correndo. Quantas vezes eu mesmo fiz isso na infância? Sinal dos tempos, o trio mantinha pelo menos um celular em punho e gravando.
Por Mauro Donato, do DCM
A partir daí pode-se ouvir os disparos que mataram Alan Souza de Lima, de 15 anos, e feriram Chauan Jambre na favela de Palmeirinha, em Honório Gurgel, zona norte do Rio de Janeiro.
O celular felizmente não morreu com a queda e permaneceu ligado. O vídeo resgatado proporcionou desmentir as já clássicas justificativas utilizadas e registradas pela polícia: resistência, troca de tiros, traficantes, suspeitos, confronto.
Nada disso havia ocorrido.
Eram apenas meninos passando o tempo fora de casa uma vez que o bairro estava sem energia elétrica.
O primeiro policial a se aproximar pergunta: “Correram por quê?”. Como assim? Crianças não podem mais correr na rua? E ao se deparar com a (mais uma) cretinice cometida, não aciona o socorro. No áudio é possível ouvir um morador corajoso “enquadrar” o PM: “Ô seu polícia, vai socorrer. Entra aí, socorre aí.” Como diria Paulo Nogueira, clap, clap de pé para o cidadão. Allan agonizava e Chauan rezava para não morrer. Apenas um sobreviveu.
Não existisse o vídeo muito provavelmente o caso se transformaria em estatística e a opinião pública média e preconceituosa manteria os garotos sob dúvida. Negros de noite na rua e na favela? Boa coisa não estavam fazendo não é mesmo? Só que não. Eram meninos completamente inocentes fazendo o que meninos fazem, divertindo-se.
Não existisse o vídeo, muito provavelmente o caso se transformaria em mais um auto de resistência, foco principal do projeto de lei 4471 que desde 2012 busca acabar com essa aberração.
No ano passado uma campanha foi iniciada em virtude da preocupação com a virada da bancada da Câmara com um fortalecimento dos amigos da bala. O ano acabou sem que o projeto tenha sido colocado em votação.
E assim vamos indo, amigos. Sorte de quem tem os filhos brincando nas ruas dentro de condomínios. Nas demais, é mais seguro ficar em casa, mesmo que no escuro.
Sobre o Autor
Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.
Fonte: http://www.geledes.org.br/
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
“Quando Eu Me Chamar Saudade”
Documentário conta a luta de Daniel Eustáquio, para provar que seu filho foi assasinado pela polícia.Através de uma investigação particular ele prova a inocência de Cesar Dias de Oliveira e de Ricardo Tavares da Silva; além de desmontar a farsa dos policias ele conseguis leva-los aos banco dos réus.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Xerife da Mulher: menina é vítima de racismo há seis meses na escola
Brenda Sousa Santos foi vítima de injúrias raciais na escola onde estuda, em Cotia (SP), durante seis meses. A mãe da menina de 12 anos chamou a Xerife da Mulher para atender o caso e encontrar uma solução, já que a diretoria da escola não tomou uma posição quando foi informada sobre o crime.
Vejam o vídeo no link.
http://www.geledes.org.br/xerife-da-mulher-menina-e-vitima-de-racismo-ha-seis-meses-na-escola/#axzz3NxvIryCq
Vejam o vídeo no link.
http://www.geledes.org.br/xerife-da-mulher-menina-e-vitima-de-racismo-ha-seis-meses-na-escola/#axzz3NxvIryCq
JOVENS NEGROS TÊM TRÊS VEZES MAIS RISCO DE MORRER DO QUE BRANCOS NA BAHIA
O Estudo de Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade (IVJ 2014), divulgado nesta segunda-feira, revela que na Bahia, um jovem negro corre 3,5 vezes mais risco de morrer do que um jovem branco. Pesquisa é realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a pedido da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do governo federal.
Em todo o país, a proporção no risco de um jovem negro morrer é 2,5 vezes maior do que a de um branco. Já no Nordeste, aumenta para 2,5 a proporção.
O estudo utilizou dados de 2012 do Datasus banco de dados do Sistema Único de Saúde). A Bahia aparece em 9ª posição em relação à escala de vulnerabilidade, cujo índice é considerado alto.
A Bahia fica atrás de outros estados nordestinos, como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará. São Paulo é o estado com menor diferença no risco de morte violência entre negros e brancos.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A cidade paulista que está protegendo um padre e dando uma lição contra o racismo
por : Marcos Sacramento
Moradores da pequena Adamantina, no interior de São Paulo, promoveram a antítese das manifestações reacionárias que acontecem pelo Brasil após as eleições presidenciais. No último dia 07, cerca de 2 mil pessoas, segundo informações do Estadão, protestaram durante a missa na Igreja Matriz da cidade contra a transferência do padre Wilson Luís Ramos.
O clérigo afirma ter sofrido rejeição de alguns fiéis por ser negro e atuar em favor dos mais pobres. Para resolver a situação da forma mais cômoda possível, o bispo responsável pela paróquia, Dom Luiz Antônio Cipolini, mandou o padre rezar em outra freguesia.
Com uma população de 35 mil pessoas, Adamantina recebeu um tipo de mobilização popular raramente vista nas grandes cidades: em defesa dos pobres, dependentes químicos e contra o racismo.
Isso porque o padre foi discriminado por causa de atitudes progressistas como receber usuários de drogas na Igreja, usar roupas simples e visitar comunidades periféricas. Há também o fato de ser negro. “Outro dia surpreendi duas senhoras dizendo que deveriam trocar o galo que há no topo da igreja por um urubu. Foi muita humilhação”, disse o padre ao Estadão.
Assim, o protesto pela permanência do padre Wilson aborda, mesmo indiretamente, uma agenda fundamental para construção de uma sociedade mais justa.
São assuntos ignorados por aqueles “cidadãos de bem” que se vestem de verde amarelo e se reúnem na avenida Paulista para bramir chavões contra a corrupção política e pedir a volta da ditadura militar. Evocam o respeito à moralidade política quando na verdade só estão preocupados em garantir férias na Flórida, o espumante nosso de cada dia e o SUV prateado.
A manifestação dos católicos adamantinenses, por outro lado, ilustra o tipo de protesto que deveria ser mais frequente nas ruas do país: a mobilização pelos menos favorecidos e contra as reações arbitrárias da elite diante da perda de privilégios. Este sim é o bom combate.
Que os protestos de Adamantina inspirem outros pelo país afora.
Leia a matéria completa em: A cidade paulista que está protegendo um padre e dando uma lição contra o racismo - Geledés
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Queremos respirar. Protesto contra a PM reúne milhares em São Paulo
Inspirados pelo movimento que rompeu os EUA contra a violência policial, milhares de jovens negros e negras saem às ruas, em São Paulo, protestando contra seu maior algoz, a Polícia Militar.
Veja a reportagem completa no
https://ninja.oximity.com/article/Queremos-respirar.-Protesto-contra-a-P-1
Veja a reportagem completa no
https://ninja.oximity.com/article/Queremos-respirar.-Protesto-contra-a-P-1
Chamada de ‘neguinha’, estudante é impedida de entrar em casa noturna na zona sul de São Paulo
Jovem ainda enfrentou problemas para registrar ofensa racial em duas delegacias; De um PM, ela ouviu: “Você é parda. Negro é aquele que nasce bem escurinho”
Por André Caramante
“Essa neguinha não entra aqui hoje!”
Essa foi a ofensa racial que a estudante Thayla Elias Alves, 22 anos, afirma ter sido disparada contra ela por uma hostess (recepcionista) da Villa Mix, no bairro da Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo e considerada uma das mais badaladas casas noturnas da cidade.
O incidente aconteceu por volta das 23h45 de 5 de dezembro, uma sexta-feira, quando Thayla, sua prima, a estudante de direito Natália Timossi, e Debora de Castro, foram impedidas de entrar na Villa Mix. O caso é investigado pela Decradi (Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), da Polícia Civil de SP.
A alegação da equipe de recepcionistas da Villa Mix para impedir a entrada das jovens foi a de que as identificações delas não constavam em uma lista de convidados, mas as três têm e-mails nos quais está registrado o envio prévio de seus nomes para a inclusão na lista.
De acordo com as jovens, quando apresentaram seus documentos para entrar na Villa Mix, mesmo sem consultar a lista de convidados, uma das hostess da casa noturna disse que elas não constavam na relação de nomes e as três foram retiradas da fila de entrada por um segurança.
Fora da fila, as jovens apresentaram o e-mail enviado com seus nomes à casa noturna a Denis Iugas de Sousa, que se identificou como gerente da Villa Mix, mas ele também impediu o acesso das três jovens à boate.
“Enquanto estávamos esperando a definição sobre nossa liberação ou não, vimos várias pessoas entrando sem que os nomes delas fossem consultados na tal lista”, contou Thayla.
Foi também enquanto esperavam a definição sobre a entrada na Villa Mix que as duas jovens que acompanhavam Thayla ouviram uma das hostess da casa noturna dizer para uma colega de trabalho: “essa neguinha não entra aqui hoje”.
As duas envolvidas no diálogo são brancas, com cerca de 1,70 m de altura e magras. Uma delas, a apontada como a responsável pela ofensa racial contra Thayla, é loira. A outra é morena.
Dificuldade para registrar B.O.
Logo após a ofensa racial, Thayla, Natália e Debora resolveram ir ao 96º DP (Brooklin), distante 1,2 quilômetro da Villa Mix e onde não havia delegado para registrar o boletim de ocorrência sobre a ofensa racial.
No 96º DP, as três jovens foram mandadas para o 27º DP (Campo Belo), distante 2,2 quilômetro da delegacia do Brooklin. Quando chegaram no segundo distrito policial, Thayla, Natália e Debora ouviram de um investigador da Polícia Civil que deviam voltar à casa noturna e, na porta da Villa Mix, ligar para a Polícia Militar. Foi o que as jovens fizeram.
Thayla afirmou que foi a delegada Eliane Tome F. Lima, plantonista do 27º DP, quem deu a ordem para o que caso não fosse registrado imediatamente e para que as três jovens voltassem à Villa Mix para chamar a PM.
Drible nos PMs
Quando dois PMs chegaram à casa noturna, a hostess que barrou as três jovens entrou na Villa Mix dizendo aos policiais que iria chamar o gerente, Denis de Sousa. Foi essa mesma mulher quem disse a frase para atacar Thayla. Após 20 minutos plantados na porta da casa noturna, os PMs souberam que as hostess haviam ido embora.
Na conversa com os PMs, Denis de Sousa disse que as hostess não eram funcionárias da Villa Mix e, como eram terceirizadas, ele não tinha como fornecer os nomes das profissionais que estavam à porta da casa noturna naquela noite de sexta-feira.
Após serem driblados pelas hostess e por Denis de Sousa, os PMs levaram Thayla, Natália e Debora novamente ao 27º DP, onde um escrivão registrou o boletim de ocorrência de injúria racial. Até a finalização do documento, a delegada Eliane Lima não havia tido contato as três jovens, segundo Thayla.
Somente quando Thayla pediu para assinar o boletim de ocorrência após a chegada de seu advogado, o que aconteceu em cerca de dez minutos, é que adelegada Eliane Lima resolveu falar com a jovem para dizer que não iria esperar. “Eles não queriam me deixar ler o boletim de ocorrência”, disse Thayla.
Quando o advogado de Thayla chegou ao 27º DP, a delegada Eliane Lima já não estava mais na delegacia e, segundo o escrivão, “havia saído para uma diligência”. Ainda no 27º DP, antes de não conseguir assinar o boletim de ocorrência, Thayla enfrentou outra questão envolvendo a cor de sua pele. Ao preencher documento sobre o atendimento feito na porta da Villa Mix, um PM escreveu que a estudante era parda. Ao informar ao PM que é negra, Thayla ouviu dele: “Você é parda. Negro é aquele que nasce bem escurinho”
Do 27º DP, sem o boletim de ocorrência, as três jovens e o advogado foram para a Corregedoria Geral da Polícia Civil, onde registraram queixa pela maneira como foram atendidas na delegacia. Passava das 6h da manhã do sábado (6/12).
Thayla garante que, apesar das dificuldades para que a polícia agisse, ela irá até o fim para que a hostess e a casa noturna Villa Mix sejam responsabilizadas pelo que aconteceu na noite de 5 de dezembro.
“Eu sei que minha luta para não deixar esse ato racista impune poderá contribuir para que outras pessoas não passem pela mesma coisa. Me senti angustiada quando passei por aquilo tudo, mas não vou deixar de ir atrás da lei”
Racismo X Injúria Racial
Atualmente, a Decradi tenta localizar e intimar a hostess da Villa Mix apontada como responsável pela frase racista contra Thayla.
O inquérito policial na Decradi foi aberto para investigar o crime de injúria racial, que é quando a ofensa discriminatória é dirigida a uma pessoa, atacando sua honra, sua autoestima com elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem. Na injúria racial, o autor pode pagar fiança e responder o crime em liberdade.
Thayla acredita que a frase da hostess da Villa Mix foi um crime de racismo, baseado na ofensa discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade. Thayla crê ter sido impedida de entrar na casa noturna por ser negra. Racismo é crime imprescritível e inafiançável.
Racismo institucional
Carmen Dora de Freitas Ferreira, presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB –SP (Ordem dos Advogados do Brasil), também crê que a hostess da Villa Mix praticou racismo.
“Ao chamar a moça de neguinha, essa recepcionista ofendeu a raça da jovem. O boletim de ocorrência e o inquérito policial deveriam apurar o crime de racismo. Não podemos mais tolerar que as pessoas sejam excluídas pela cor da pele. Isso é nocivo. Seria injúria racial se a recepcionista tivesse dito alguma ofensa como macaca, preta suja ou algo tão baixo quanto”, explicou a advogada Carmen Ferreira.
Ao analisar a atitude do PM que atendeu ao chamado de Thayla na porta da Villa Mix, quando ele quis descrevê-la como parda e não como negra nos registros da Polícia Militar, a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP foi direta ao constatar novo ato racista.
“Sabe o que esse policial militar fez contra essa jovem? Ele praticou racismo institucional. E isso também é nocivo”, disse Carmen Ferreira.
Villa Mix nega discriminação racial
De acordo com a assessoria de imprensa da Villa Mix, “por conta da correria do fim de ano”, os responsáveis pela casa noturna não poderiam se manifestar sobre a investigação da Decradi sobre o possível crime de injúria racial contra Thayla.
Em nota, a assessoria de imprensa da Villa Mix informou:
“O Villa Mix adota como política apenas liberar pessoas que estejam com nome na lista e realmente os nomes das três moças não constavam.
Pelo averiguado, não ocorreu qualquer tipo de injúria criminal por parte de qualquer funcionário do Villa Mix, inclusive os clientes são respeitados e bem tratados para que retornem ao estabelecimento.
Foi conversado com a hostess, ela afirmou que não cometeu qualquer tipo de ofensa racial. Pelo contrário. Ela tratou as clientes educadamente, entretanto, as clientes ficaram indignadas que os nomes não estavam na lista e a casa já estava atingindo a lotação máxima.”
Secretário da Segurança Púbica não se manifesta
Procurado desde quarta feira (17/12) pela reportagem para se manifestar sobre os problemas enfrentados por Thayla para registrar na polícia a ofensa racial que sofreu, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, respondeu a apenas uma das sete questões enviadas à assessoria de imprensa da pasta.
Grella Vieira não respondeu as seguintes questões:
1º – Por qual motivo Thayla não pôde registrar boletim de ocorrência no 96º DP? Onde estava a autoridade policial responsável pelo plantão do 96º DP?
2º – Por qual motivo a delegada Eliane Lima ordenou que Thayla voltasse à casa noturna onde foi ofendida para acionar a PM? Esse é um procedimento padrão da Polícia Civil de SP?
3º – Qual o número da apuração preliminar aberta na Corregedoria Geral da Polícia Civil de SP para investigar a conduta da delegada Eliane Lima? A delegada já foi ouvida pela Corregedoria? O que ela afirmou, caso tenha sido interrogada? Solicito, por favor, que a Secretaria da Segurança Pública viabilize entrevista com a delegada.
4º – Por qual motivo os policiais militares que foram à casa noturna não conduziram a recepcionista que ofendeu Thayla para o 27º DP?
5º – Em caso de possível crime de racismo ou de injúria racial, qual é a orientação que o senhor dá para as vítimas? Como o secretário da Segurança Pública de São Paulo determina que as vítimas de racismo ou injúria racial ajam para ter seus direitos preservados?
6º – Quantas pessoas foram presas em flagrante por racismo no Estado de São Paulo neste ano?
Por meio de sua assessoria de imprensa, Grella Vieira só respondeu ao questionamento da reportagem sobre quantos boletins de ocorrência foram registrados por injúria racial e por racismo, em 2013 e neste ano, no Estado de São Paulo.
Segundo levantamento da Decradi, em 2013, foram registrados 36 boletins de ocorrência por injúria racial e outros 15 por discriminação/preconceito. Neste ano, de janeiro até 2 de setembro, foram 38 por injúria racial e 16 por discriminação/preconceito.
Grella Vieira não informou o total de casos registrados no Estado de São Paulo nas delegacias que não são especializadas como a Decradi.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Situação Social da População Negra por Estado.
O Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) lançaram a publicação Situação social da população negra por estado: indicadores de situação social da população negra segundo as condições de vida e trabalho no Brasil.
O estudo apresenta indicadores construídos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), nos anos de 2001 e 2012, de acordo com os eixos: características das famílias; escolaridade; trabalho e renda; e seguridade social. Os temas foram selecionados para apresentar um conjunto abrangente de informações para compor o cenário social que envolve a população negra no Brasil.
Fonte: Seppir Presidência
Link para download
http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=24121
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Apucarana: lei garante reserva de vagas para afrodescendentes em concurso -
Com a presença de vereadores e representantes de movimentos sociais, o prefeito Beto Preto (PT) sancionou nesta terça-feira (09/12), no gabinete municipal, a Lei Municipal nº 158/2014, que regulamenta a reserva de 10% das vagas para candidatos afrodescendentes em todos os concursos públicos da administração direta e indireta do município.
Durante o ato, o prefeito salientou que Apucarana é uma das poucas cidades do país a legislar sobre o assunto. “Quero agradecer aos vereadores por aprovarem por unanimidade o projeto de lei. Apucarana está fazendo história, sendo um exemplo positivo a ser seguido”, salientou Beto.
Ele lembrou que o Norte do Paraná é uma das regiões que mais houve miscigenação de raças e anunciou que cópia da legislação sancionada vai ser enviada ainda nesta semana para a Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e para a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. “É uma forma de dizer que Apucarana está presente e ativa no que tange as políticas afirmativas para a população negra e quer avançar mais”, disse o prefeito.
O sistema de cotas sancionado em Apucarana já vai valer para o concurso público da Autarquia Municipal de Educação (AME), cujo edital para contratação de professores e assistentes infantis deve ser publicado em janeiro. “Vejo que as cotas são necessárias, sobretudo para repararmos uma dívida social antiga que temos com esta etnia no Brasil. Queremos em nosso quadro de servidores afrodescendentes em todos os níveis, seja ele fundamental, médio ou superior”, informou.
Reserva de vagas para afrodescendentes em concursos públicos também já está regulamentado em nível Federal (Lei 12.999/2014), que estabelece reserva de 20%, e Estadual (Lei 14.274/2003), que fixou em 10% o número de vagas reservadas para afrodescendentes. O presidente do Conselho Municipal da Igualdade Racial e membro da Unegro (União de Negros pela Igualdade), Marcos Ferreira Fagundes, falou sobre a nova lei. “Para nós é uma conquista grande, fruto de anos de luta, e sobretudo, de um ato humano e de coragem de um prefeito preocupado verdadeiramente com as causas dos movimentos sociais. Quem dera todos os prefeitos seguissem este exemplo de Apucarana. Só sabe o valor e a necessidade das cotas quem sofre a discriminação, que somos nós, negros”, comentou Fagundes.
Outro que também enalteceu a iniciativa da Prefeitura de Apucarana foi o ex-vereador Natal Batista. Afrodescendente e militante social há mais de 13 anos, Batista fez um apanhado histórico da luta. “Em Apucarana os movimentos sociais são fortes, mas até hoje, apesar das reivindicações, haviam poucas políticas públicas. Felizmente agora temos um governo sensível às nossas causas. Branco, negro, seja qual etnia for, possuem as mesmas capacidades, mas as oportunidades são diferentes. O sistema de cotas vem corrigir isto, dando as mesmas oportunidades a todos”, afirmou Batista.
Em nome da Câmara de Vereadores, o presidente José Airton Deco de Araújo, manifestou satisfação em fazer parte do que classificou como “
. “A atual administração vem realizando o que chamamos de política afirmativa, concedendo avanços que lutamos há pelo menos 10 anos, e que os demais governos municipais não deram ouvidos”, assinalou Fagundes. Segundo ele, além do sistema de cota racial nos concursos públicos municipais, a atual administração também atuou efetivamente para a criação do Conselho Municipal da Igualdade Racial, em junho deste ano.
Fonte: TN Online
http://www.geledes.org.br/apucarana-lei-garante-reserva-de-vagas-para-afrodescendentes-em-concurso/#axzz3M4CnEsYv
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Aranha recebe prêmio de Dilma por atitude contra racismo
“Esse prêmio fortalece o meu ato de tomar a atitude correta”
Vítima de racismo durante a partida entre Grêmio x Santos, pela Copa do Brasil, o goleiro Aranha foi homenageado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O atleta teria se destacado ao tomar sua atitude contra as manifestações de gremistas contra ele.
“Esse prêmio fortalece o meu ato de tomar a atitude correta”, comentou Aranha. O santista recebeu a homenagem direto das mãos da presidente Dilma Rousseff, na última quarta-feira. Além do esportista, outros 20 receberam o prêmio por sua luta contra o preconceito.
“A luta de vocês é de fundamental importância. Houve avanços, mas falta muito. É preciso buscar avançar cada vez mais”, disse a presidente Dilma no ato.
Aranha sofreu atos racistas na partida de ida da Copa do Brasil contra o Tricolor gaúcho, em Porto Alegre. Ao final da vitória dos paulistas por 2 a 0, um grupo de torcedores chamaram o goleiro de “macaco”. Como punição, o Grêmio acabou eliminado da competição.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
População vê racismo contra o padre e protesta;bispo deixa a igreja escoltado.
O bispo de Marília (SP), dom Luiz Antonio Cipolini, foi acuado dentro da Igreja Matriz de Adamantina, também no interior paulista, e teve de sair escoltado por policiais militares, na noite deste domingo (7).
O bispo estava na cidade para comandar a missa de Crisma, quando cerca de 2.000 pessoas se reuniram em um protesto do lado de fora da igreja para lhe cobrar explicações sobre a substituição do padre negro Wilson Luís Ramos. Com medo, dom Luiz se trancou na igreja e só saiu por volta das 23h, 1h50 depois do final da missa.
Antes de sair escoltado, o bispo enfrentou momentos de constrangimento já dentro da igreja, que estava lotada. Dom Luiz teve de interromper a cerimônia religiosa, que já estava na sua fase final, ao ser vaiado pelos fiéis, revoltados com a saída de padre Wilson.
Sem que o bispo desse alguma explicação sobre a saída do padre em seu sermão, manifestantes, na maioria jovens com narizes de palhaço, levantaram cartazes e gritavam “fica, padre Wilson”. Em seguida, gritando a palavra “indignação”, os manifestantes passaram a jogar moedas no altar da igreja. Diante do barulho provocado pelo protesto, o bispo interrompeu a missa e repassou o microfone ao padre Wilson, que pediu aos manifestantes para parar, mas não foi atendido.
Os jovens continuaram gritando, ainda por alguns minutos, e foram apoiados pelo restante dos fiéis, que lotava a igreja — de 1.200 lugares — e batia palmas. A revolta com a substituição do padre continuaria do lado de fora da igreja, após o encerramento da missa. Cerca de 2.000 pessoas gritavam frases contra o racismo e contra o bispo, porque ele demorava a sair.
Para o vendedor Paulo Roberto Scavassa, que frequenta a Paróquia Santo Antônio de Pádua há mais de 30 anos, trata-se se uma atitude racista.
— Nós só queremos que ele nos explique por que está retirando o padre de nossa cidade. Para nós, fica cada vez mais evidente que se trata de um ato de racismo.
Padre Wilson foi o primeiro negro a assumir a principal paróquia de Adamantina, mas, ao contrário dos padres anteriores que ficaram mais de dez anos, Ramos permaneceu na cidade somente por menos de dois anos.
Depois de quase uma hora de espera, padre Wilson saiu e tentou conversar com os manifestantes.
— Deixem o bispo sair, por favor.
Em resposta, os manifestantes gritavam “não”, para em seguida gritar “explicação, explicação”.
Ao perceber que não conseguiria convencer ninguém, o padre retornou para dentro da igreja, aos gritos de “Fica, padre Wilson”. Já passava das 23h quando o bispo deixou a igreja, escoltado por dezenas de PMs.
Enquanto dom Luiz saía, a multidão o chamava de “racista” aos gritos. Mas o bispo ainda teria de retornar a Marília dentro do carro de um sargento da PM, porque o carro dele teve os pneus esvaziados e foi riscado pelos manifestantes.
A manifestação foi a segunda ocorrida em dois dias seguidos em Adamantina. No sábado (6), cerca de 2.000 pessoas, vestidas de preto e com velas nas mãos e faixas condenando o racismo, fizeram uma passeata em apoio ao padre.
Colaboradores
A substituição foi pedida ao bispo por um grupo de fiéis ricos e conservadores, colaboradores da igreja, que tinham sido substituídos pelo padre em cargos de coordenação da paróquia que ocupavam havia 13 anos.
O grupo estaria descontente com a opção dada pelo padre aos pobres e jovens usuários de drogas, que passaram a frequentar a principal igreja da cidade desde que o padre chegara a Adamantina havia dois anos. Neste período, Ramos sofreu preconceito por parte de fiéis.
“Outro dia vi duas mulheres dizendo que deveriam substituir o galo do alto da torre da igreja por um urubu”, contou o padre em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada. Na mesma ocasião, o próprio bispo relatou o preconceito sofrido pelo padre.
Nesta segunda-feira (8), padre e bispo não foram localizados para falar sobre as manifestações. Padre Wilson deixou o celular na caixa postal e o telefone da casa do bispo estava no fax. Segunda-feira é dia de folga dos religiosos. Pela circular expedida pelo bispo na sexta-feira (5), padre Wilson deve deixar a casa da paróquia até esta terça-feira (9).
Fonte: Geledés
ONU lança década internacional para os afro-descendentes
Especialistas e diplomatas defenderam, nesta quarta-feira (10), nas Nações Unidas a busca de um mundo sem racismo, discriminação e intolerância, a propósito do lançamento da Década Internacional para os Povos de Descendência Africana.
“Precisamos de um planeta onde predominem o reconhecimento, a justiça e o desenvolvimento para todos os seres humanos”, afirmou a responsável pelo Grupo de Trabalho da ONU sobre as pessoas de Descendência Africana, Mireille Fanon-Mendes.
Em uma coletiva de imprensa pelo lançamento da Década, a especialista lamentou que pela cor negra de sua pele, muitos sofrem de maneira permanente marginalização, invisibilidade e penúrias econômicas e sociais.
De acordo com a também integrante do Grupo de Trabalho, a jamaicana Verene Shepard, o objetivo de dedicar o decênio 2015-2024 aos afrodescendentes é concluir o mesmo em uma situação bem diferente da atual.
“Temos esperanças de conseguir mudanças importantes, ou pelo menos dar passos nesta luta contra o racismo e a xenofobia”, afirmou.
Shepard recordou que o problema da discriminação é muito complexo, por ter suas raízes em séculos atrás, em fenômenos como a colonização e a escravidão.
A especialista assinalou que a educação e o fortalecimento da justiça representam pilares para reverter o cenário de abusos em que vivem grande parte dos afrodescendentes, inclusive onde constituem a maioria da população.
"Como disse, o assunto é bem complexo, e passa por questões tão elementares como deixar de considerar os negros uma ameaça quando cruzam as fronteiras ou quando enfrentam o crime", sublinhou.
Por sua vez, a ministra brasileira para a Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Luiza Bairros, manifestou sua satisfação pelo lançamento da Década.
Consideramos uma ocasião propícia para que todos os países membros das Nações Unidas renovem seu compromisso com a igualdade racial no mundo, expôs na própria conferência de imprensa.
Segundo Bairros, no Brasil - onde vivem cerca de 100 milhões de afrodescendentes - tem melhorado nos últimos anos a situação desse setor populacional, a partir de um maior acesso à educação e ao emprego, graças aos programas governamentais.
Fonte: Prensa Latina
Em uma coletiva de imprensa pelo lançamento da Década, a especialista lamentou que pela cor negra de sua pele, muitos sofrem de maneira permanente marginalização, invisibilidade e penúrias econômicas e sociais.
De acordo com a também integrante do Grupo de Trabalho, a jamaicana Verene Shepard, o objetivo de dedicar o decênio 2015-2024 aos afrodescendentes é concluir o mesmo em uma situação bem diferente da atual.
“Temos esperanças de conseguir mudanças importantes, ou pelo menos dar passos nesta luta contra o racismo e a xenofobia”, afirmou.
Shepard recordou que o problema da discriminação é muito complexo, por ter suas raízes em séculos atrás, em fenômenos como a colonização e a escravidão.
A especialista assinalou que a educação e o fortalecimento da justiça representam pilares para reverter o cenário de abusos em que vivem grande parte dos afrodescendentes, inclusive onde constituem a maioria da população.
"Como disse, o assunto é bem complexo, e passa por questões tão elementares como deixar de considerar os negros uma ameaça quando cruzam as fronteiras ou quando enfrentam o crime", sublinhou.
Por sua vez, a ministra brasileira para a Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Luiza Bairros, manifestou sua satisfação pelo lançamento da Década.
Consideramos uma ocasião propícia para que todos os países membros das Nações Unidas renovem seu compromisso com a igualdade racial no mundo, expôs na própria conferência de imprensa.
Segundo Bairros, no Brasil - onde vivem cerca de 100 milhões de afrodescendentes - tem melhorado nos últimos anos a situação desse setor populacional, a partir de um maior acesso à educação e ao emprego, graças aos programas governamentais.
Fonte: Prensa Latina
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